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Exclusivo: Marcelo Mattos se diz feliz no futebol grego

Por Marcelo Neves, da Placar

18/Abril/2008

Após uma passagem de destaque pelo Corinthians (de 2005 a 2007), o volante Marcelo Mattos encara agora um novo desafio em sua carreira: brilhar no futebol europeu. No Panathinaikos, da Grécia, desde o meio do ano passado, o jogador mantém viva a esperança de se transferir para um grande clube europeu e defender novamente a Seleção Brasileira.

Em entrevista exclusiva à Placar, o ex-corintiano também relembrou os tempos de Parque São Jorge durante a 'Era MSI', comentou as passagens dos argentinos Tevez e Mascherano pelo Timão e esclareceu a sua saída do clube.

Para os admiradores do futebol de Marcelo Mattos, uma boa notícia: o volante não descarta um retorno ao Corinthians no futuro.

Confira a entrevista:

Como está a sua vida na Grécia? Já está totalmente acostumado ao país?
Agora eu já estou bem adaptado aqui. Levei uns dois meses pra acertar tudo, para me adaptar ao futebol grego, mas as coisas estão indo muito bem. Tem, claro, o problema da língua, mas a minha família está feliz na Grécia e bem acostumada com os novos costumes.

Você acredita que o fato de estar no futebol grego te afasta da seleção?
Acho que não. Nossa equipe está bem, e temos chance de disputar a próxima Liga dos Campeões, o que me daria mais visibilidade e me deixaria mais perto da seleção. Tenho, sim, o sonho de defender a Seleção Brasileira, e isso só depende do meu desempenho dentro de campo. Temos os exemplos de jogadores que estavam no futebol russo e ucraniano e que tiveram as suas chances na seleção. Além disso, estamos muito próximos do futebol inglês, e uma transferência para lá poderia me ajudar ainda mais.

O Leão costumava distribuir os coletes no treino e, quando chegava a sua vez, ele jogava no chão. Alguma vez você chegou a dar uma resposta atravessada para o técnico?
Na verdade essa passagem nem aconteceu comigo. Isso era um costume do Leão. Nos treinamentos ele deixava os coletes no chão e os jogadores tinham que pegar. Isso nunca causou qualquer mal-estar no elenco. Os jogadores respeitavam.

É verdade que o Leão influenciou na sua saída do Corinthians?
Eu nunca tive problema nenhum com o Leão e nem com outro treinador. Pelo contrário, eu sempre conversei muito com ele. Nos piores momentos do Corinthians, eu, ele e o Magrão conversárvamos muito para tentar resolver as coisas. Sempre mantive um bom diáligo com o Leão e nunca me senti perseguido por ele. A minha saída em nada teve a ver com ele. Eu simplesmente recebi uma boa proposta do Panathinaikos e naquele momento achei que o melhor para seria aceitar a proposta. Fiquei um pouco chateado por deixar o Corinthians naquele momento, pois a equipe não vinha bem, mas tanto eu como o Corinthians achamos que seria o melhor a fazer naquele momento.

Ser contratado pela MSI te ajudou ou te prejudicou no Corinthians?
Nunca tive problema nenhum em ser jogador da MSI. No Corinthians, sempre me preocupei em fazer o meu trabalho, independente do vínculo que tinha. Até hoje meu direitos pertencem à MSI. Quando saí do Corinthians, eles compraram a parte dos meus direitos que pertenciam ao clube. Então, os meus direitos continuam ligados a MSI, estou feliz na Europa, e isso nunca influenciou em nada na minha carreira.

Por que Tevez deu certo e Mascherano não no Corinthians de 2005?
O Tevez e o Mascherano são dois grandes jogadores, tanto é que os dois estão brilhando na Europa: o Tevez no Manchester e o Mascherano no Liverpool. Um diferencial é que o Tevez nunca se machucou no Corinthians, e o Mascherano ficou um bom tempo parado por conta de uma lesão. Mas o Tevez realmente era um jogador diferenciado. Ele sempre foi a referência da nossa equipe, principalmente em 2005, quando conquistamos o Campeonato Brasileiro. Ele criou uma identificação muito forte com a torcida e isso era bom para a nossa equipe. Mas os dois são grandes jogadores.

Como era o clima no elenco do Corinthians na época da MSI?
O clina no nosso elenco sempre foi bom. Mesmo com a presença de jogadores renomados, com passagem pela Europa, todos sempre se dedicavam ao máximo dentro de campo. Em 2005 a nossa equipe era muito forte, e todos se empenharam muito para conquistar aquele Campeonato Brasileiro. O que acontecia com mais frequencia eram as discussões durante os treinamentos, por conta de entradas mais duras e coisas do gênero. Mas isso é normal no futebol e acontece em qualquer equipe. Apesar de badalado, o nosso elenco era tranquilo e todos os jogadores eram muito dedicados dentro de campo e nos treinamentos.

Você foi uma das primeiras contratações da MSI e chegou pouco badalado ao Corinthians. Apesar disso, você teve uma identificação com o clube muito maior do que outros jogadores que chegaram com o rótulo de ‘galácticos’. A que você atribuiu isso?
Muitas coisas podem influenciar no desempenho de um jogador: o momento, a posição, os companheiros. Eu realmente consegui me adaptar muito bem ao Corinthians e consegui construir uma identificação com o clube. Mas não acho que outros jogadores mais badalados, como Roger e Carlos Alberto, tenham ido mal no Corinthians, pelo contrário. O Roger fez um grande Campeonato Brasileiro em 2005, só que se machucou no seu melhor momento, e isso prejudicou muito ele. O Carlos Alberto teve altos e baixos, mas foi muito importante na reta final do Campeonato Brasileiro e contribuiu muito com a nossa equipe. Às vezes, um jogador volta da Europa e todos acham que ele vai jogar muito. Mas as coisas não são bem assim. O bom desempenho do atleta dentro de campo depende de diversos fatores.

Houve pressão da MSI ou do Corinthians para você deixar o clube? Você queria deixar o Corinthians naquele momento?
Nunca fui pressionado por nenhum dos lados. A minha saída aconteceu de forma natural. O Panathinaikos fez a proposta e ela foi interessante para mim, para o clube e para a MSI. Fiquei chateado só pode deixar o Corinthians naquele momento, mas sempre tive vontade também de fazer carreira na Europa e essa oportunidade apareceu.

Pensa ainda em voltar ao futebol brasileiro? O Corinthians seria a sua prioridade?
Penso, sim. Por mais que as coisas sejam mais organizadas aqui na Europa, que os estádios estejam sempre cheios, que os salários dificilmente atrasem, não é a mesma coisa. Todos nós sabemos dos problemas do futebol brasileiro, da falta de estrutura dos clubes, dos problemas financeiros e etc. Mas nada se compara ao calor da torcida brasileira. Aqui, por mais que os estádios estejam sempre lotados, a vibração não é a mesma. Cinco mil torcedores brasileiros fazem muito mais barulho que vinte mil europeus. São essas coisas que fazem falta aqui. É por esse motivo que penso, sim, em voltar ao Brasil, e quem sabe um dia vestir de novo a camisa do Corinthians. Mas no momento quero seguir por aqui, minha família se adaptou bem ao país, vejo boas perspectivas para mim e para meus filhos, quero que eles estudem, é uma grande experiência de vida.

Você teve de mudar o seu estilo de jogo para se adaptar ao futebol grego?
Não tive que mudar o meu estilo, acredito que meu futebol é que cresceu. Aqui, eles jogam no 4-4-2, com quatro defensores e dois atacantes que atuam mais como pontas antigos, abertos pelas laterais. No meio-campo, eu atuo como volante, com um companheiro e dois meia bem abertos. Isso me dá mais liberdade para apoiar e chegar mais ao ataque. No Corinthians, tinha que me preocupar mais com a parte de marcação, aqui já tenho mais condições de apioar e dar passes para os atacantes. Acredito que meu futebol cresceu muito.

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