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Lúcio Flávio: Objetivo do Bota é a Libertadores

Por Daniel Tertschitsch, especial para Placar

8/Maio/2008

Rio de Janeiro (RJ) - Ele é um exemplar raro no futebol brasileiro atual. Um verdadeiro camisa 10. Arma o jogo, distribui passes, cadencia ou acelera o ritmo da partida, faz gols em cobranças de falta.

Do começo do ano para cá, já balançou a rede 12 vezes e é considerado o maestro de uma das equipes mais bem treinadas e que apresenta um jogo vistoso e eficiente.

Embora o título não tenha se concretizado, após nova derrota para o Flamengo pelo estadual do Rio, Lúcio Flávio está nas graças da torcida alvinegra. O jogador que já passou por clubes como São Paulo, Paraná e Internacional, é a principal arma de criação da equipe montada por Cuca.

Confira a entrevista:

Qual a projeção vocês fazem para a Copa do Brasil?
Hoje estamos numa fase importante da competição e acho que a nossa força deve estar voltada para esse objetivo, já que junto da Copa do Brasil iniciará o Campeonato Brasileiro. Mas sendo o Brasileiro uma competição um pouco mais longa, acho que a oportunidade que de em três fases chegar numa Libertadores faz com que a gente foque esse objetivo.

Qual é o adversário a ser batido?
Para nós é o Atlético Mineiro, porque na Copa do Brasil você precisa pensar sempre de acordo com o adversário que tem pela frente. Não adianta acharmos que o mais complicado é passar pelo Corinthians, pelo Inter, se não passar pelo Atlético.

Quando você vê imagens dos estádios/gramados do Paulistão, dá vontade de voltar a jogar no Brasil?
Temos o melhor futebol e os melhores jogadores do mundo, mas, infelizmente, temos também umas das piores infra-estruturas do mundo. Isso faz com que os jogadores procurem cada vez mais os mercados internacionais. A nossa carreira é muito curta e temos de conquistar a nossa independência financeira o mais rápido possível. O Brasil só conseguirá segurar os grandes jogadores quando os clubes estiverem preparados financeiramente para isso.

Você jogou a segunda partida da final, contra o Flamengo, com dores musculares ou estava 100%?
Joguei 100%. Na realidade eu só não treinei na véspera, para não ter nenhum problema. Até porque, normalmente, o treino na véspera é sempre um treino mais leve. Eu apenas fiz um trabalho na bicicleta para evitar um desgaste maior pro jogo.

Ao destacar uma marcação individual para você nas duas partidas (Toró na primeira e Jaílton na segunda) o técnico do Flamengo, Joel Santana, elogiou muito a sua forma de jogar. Foi difícil jogar deste jeito?
É sempre mais complicado quando existe esse tipo de marcação. Mas em momento algum houve, por parte de qualquer atleta deles, deslealdade. Isso faz parte do nosso contexto e foi uma opção tática que eles tiveram. E acabaram tendo uma excelente postura com relação a isso.

Existe um respeito mútuo entre Fla e Bota, por conta de ser um clássico histórico?
Por qualquer adversário você tem que ter respeito, seja qualquer o confronto. É normal que o confronto seja estressante, porém dentro de algum tempo você pode estar vestindo a mesma camisa que o teu adversário atual. Mas por conta dos confrontos que existiram desde o ano passado, jogos que foram bem jogados, bem disputados, acho que se criou isso. Até pelo crescimento que os dois clubes tiveram de dois anos pra cá. Isso é importante pro futebol, esse tipo de confronto. E a gente entende que, agora, iniciará o Brasileiro e temos que nos preparar, porque os jogos são cada vez mais complicados nesse sentido.

Quem foi o jogador que te influenciou em estilo?
Hoje, avaliando com mais calma, um jogador que me chama muito atenção foi o Zidane, pela forma que ele sempre jogou: de cabeça erguida, um jogador altamente talentoso. Pra mim, dos que eu vi foi o grande jogador.

Você treina cobranças de falta?
Sim, tem que intensificar, treinar. Claro que às vezes, por conta da quantidade excessiva de jogos, fica um pouco mais difícil, até pra evitar um desgaste. Mas sempre que possível fico treinando. Até pelas diferentes competições. Por exemplo, no estadual a gente jogava com um tipo de bola, agora a Copa do Brasil é outro modelo. Tem que procurar treinar para pegar a batida.

Qual a diferença da bola da Copa do Brasil?
É mais leve, mas pra nós batedores é uma bola interessante. Agora é bater bem e fazer gols, pois ela tem tendência a pegar velocidade.

É o seu melhor momento da carreira?
É um dos meus melhores momentos.

Seu contrato vai até o fim do ano, e depois?
Acho até pela forma como tudo tem acontecido aqui, de ter permanecido mais tempo no Botafogo, de ter liberdade, de ter conseguido adquirir respeito da torcida por conta da minha postura como atleta, eu acho que passo por um momento muito interessante. E agora eu tenho meu contrato terminando em dezembro. Já aconteceu uma manifestação de renovação do Botafogo, mas ainda não tive nenhuma proposta. Mas fico tranqüilo, não penso muito nisso, pois muitas vezes isso acaba tirando o foco.

A política mais branda em relação às concentrações, por exemplo, é um exemplo dessa liberdade que você fala ter no Botafogo? Isso demonstra uma consciência das responsabilidades dos jogadores e da confiança que o Cuca tem em vocês?
O ambiente que se cria para você trabalhar é o mais importante. Aqui não tivemos nenhum tipo de problema esse ano e por isso nós, claro, concentramos normalmente como os outros clubes, mas sem ter necessidade de muitos períodos de concentração.

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