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Fred: Tudo pela amarelinha

Por Jonas Oliveira, da Placar

2/Junho/2008

São Paulo (SP) - Depois de levantar mais um caneco na França, Fred manda seu recado: quer recuperar a camisa 9 da seleção até a Copa 2010.

Confira a entrevista:

Neste ano a disputa pelo título francês foi bem mais acirrada. Você acha que o ciclo vitorioso do Lyon pode estar chegando ao fim?
Acho que os outros clubes estão se organizando melhor, se espelhando no Lyon e fazendo boas contratações. E isso é bom pro campeonato francês, porque o nível fica mais alto, mais competitivo. O Bordeaux chegou forte esse ano, e eu espero que o Paris Saint Germain e o Olympique também venham melhores na próxima temporada. E que no final o Lyon continue ganhando (risos).

O que falta ao Lyon para ter sucesso também na Liga dos Campeões?
Esse é o maior objetivo do clube e a gente ainda vai chegar lá. O problema é que na Champions só tem fera, nas oitavas você sempre vai trombar com os times “top”. A gente chegou mais perto na temporada 2005/06, em que a gente perdeu pro Milan jogando melhor os dois jogos. Esse ano foi diferente, o time só se classificou na última rodada. E contra o Manchester a gente jogou muito recuado.

Há espaço para você e Benzema no mesmo time?
Aqui na França até a imprensa tem pedido pra gente jogar junto. Mas o time joga no 4-3-3 há tanto tempo que virou quase uma superstição, parece que o pessoal tem medo de mudar. Se o treinador armasse o time no 4-4-2, com nós dois no ataque, a gente ia deitar de fazer gol. Ele é um atacante de movimentação, precisa de alguém pra fazer o “um-dois”. E eu procuro tocar e ir pra área, fazer o gol. Acho que a gente se completa.

Você já disse que pretendia jogar na Espanha. Continua a ter esse desejo?
Tenho muita vontade de jogar na Espanha. É um futebol que tem mais espaço para os atacantes. Aqui na França o jogo é mais duro, tem muita equipe que joga recuado, para dar porrada mesmo. Quando eu estava no Cruzeiro recebi uma proposta do Sevilha; depois não soube de mais nada. Mas pretendo cumprir meu contrato até o fim.

Que clube brasileiro tentou te contratar? Se fosse para escolher, onde você jogaria?
Meu irmão conversou com o pessoal do São Paulo e do Santos, eu mesmo conversei com o Alvimar [de Oliveira Costa, presidente do Cruzeiro] em um restaurante em Belo Horizonte. Nesse período eu estava me divorciando, e como tenho uma filha pequena no Brasil, queria ficar mais próximo dela. No final eu vi que seria mais interessante pra minha carreira permanecer na Europa. Mas se voltar, o Cruzeiro sempre vai ter preferência.

Você não joga pela seleção desde a contusão na Copa América. Ainda dá tempo de voltar em 2010?
Esse é o meu maior objetivo. Sei que futebol é momento e que eu perdi espaço na seleção, estou começando do zero de novo. Esse fim de temporada foi ótimo pra mim, já recuperei meu espaço no Lyon, voltei a fazer gols. Eu vou sempre trabalhar pensando na seleção.

Ficou decepcionado em ficar de fora na última convocação?
Não vou te enganar, sempre espero ser convocado. E é claro que estava querendo, ainda mais que o jogo com a Argentina é em Belo Horizonte, no Mineirão, que é minha casa. Esse era um jogo pra mim.

Com quem você acha que faria uma boa dupla de ataque na seleção?
Cara, só tem fera aí... Robinho, Adriano, Luis Fabiano, está todo mundo “zero-bala” [risos]. Talvez o Robinho, por ser um atacante que se movimenta mais.

Se tivesse que escolher seus três gols inesquecíveis, quais seriam?
O primeiro é o da Taça São Paulo, que foi o mais rápido do futebol e me deu projeção. O segundo foi o da Copa do Mundo. E o terceiro foi o do elástico na Champions League, contra o PSV. Foi um gol bonito e tem um historia extraordinária.

Qual?
Foi no dia do nascimento da minha filha. Fiquei no hospital o dia todo e o treinador disse que se eu chegasse a tempo de fazer o aquecimento, jogaria como titular. Ela nasceu e eu saí correndo do hospital, mas quando cheguei faltavam quinze minutos para o jogo começar. Troquei de roupa e fiquei no banco, meio chateado, mas todo mundo disse que eu ia entrar e fazer um gol. Não deu outra, e ainda foi um golaço!

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