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Belletti: Amigão da chefia

Por Paulo Passos, especial para Placar

1/Julho/2008

Belletti está rindo à toa. Comemora a chegada do "padrinho' Felipão ao Chelsea e conta suas histórias fora de campo com o milionário Abramovich...

Confira a entrevista:

Vocês está há um ano no Chelsea. Como se sente no futebol inglês?
Foi bom. O Campeonato Inglês hoje é o mais respeitado do mundo. Claro que sair do Barcelona não era algo planejado, mas eu recebi o convite do Chelsea e achei que seria uma boa. O Mourinho, quando ainda estava lá, foi quem pediu a minha contratação. Isso me deixou muito feliz também. Aí que eu fui mesmo. E está sendo muito bom. O Campeonato inglês é o que tem mais visibilidade no mundo, mais até que a NBA. Isso é muito legal.

Como foi a perda da final da Champions League? Qual foi o ambiente no vestiário?
Claro que ninguém gosta de perder, ainda mais nós que tivemos a oportunidade de decidir a partida, tanto com a bola rolando como nos pênaltis. Mas já passou. Estamos ainda mais fortes para a próxima temporada.

E a ida do Felipão? Você foi para uma Copa do Mundo com ele...
O Felipão, desde o primeiro dia que assumiu a seleção brasileira, me convocou. De todas as convocações que ele fez eu só não fui em uma. É um cara que confiava totalmente no meu trabalho. Fiquei muito feliz. Trabalhar com ele é ótimo. Ter um brasileiro lá também. Outro dia comentei isso com o Alex e ele estava muito esperançoso. Claro que vou ter que demonstrar muito dentro de campo, mas é bom saber que um cara que confiou em mim estará lá.

Você já falou com ele?
Eu tentei ligar para ele, chefe né? (risos) Mas com a Euro, não consegui. Também não precisa falar muita coisa. Com tudo o que ele me conhece e eu ele, nossa relação vai ser boa novamente.

Qual foi a última vez que vocês conversaram?
Até não me lembro, mas uma coisa que me deixou muito feliz foi quando ele me ligou depois da conquista da Champions, em 2006. Foi muito legal aquilo.

O que o Felipão tem de diferente dos outros treinadores?
Ele não tem aquela distância entre o técnico e o jogador. O Avram Grant, por exemplo, nem dava o treino quase. Ele é uma pessoa que estuda muito o time, estuda o adversário, mas não tem uma relação direta com os jogadores como o Felipão tem. Todo mundo que trabalha com ele fala isso. Ele também abre muito para o diálogo com os atletas e isso ganha os jogadores. Ele é muito coerente nas decisões e fácil de se relacionar.

Ele consegue fazer com que os reservas falem bem dele. Como é isso?
Primeiro, porque ele não escala o jogador por causa do nome. Ele escala quem está melhor e todo mundo quando trabalha em um grupo sabe quem está melhor e quem está mal. E você acaba ganhando respeito do jogador por causa disso. Pelo gênio dele e pelo caráter, consegue fazer com que você queira trabalhar para o técnico. E isso não é fácil. Ele não é um cara metido, mascarado, que chega na imprensa e começa a se gabar por uma vitória. Ele faz com que todo mundo queira trabalhar em função dele e do grupo. Hoje em dia é muito difícil conseguir isso, mas o Felipão é um dos poucos que consegue.

Como é a relação Roman Abromovich, dono do Chelsea, com os jogadores?
Ele é uma pessoa bem simples que não chega querendo mostrar que é o dono. Ele sempre vai ao vestiário depois dos jogos para cumprimentar os atletas e faz questão de sempre que pode ter um contato com o grupo. Claro que todo mundo respeita porque sabe que é ele que sustenta aquilo, mas ninguém tem nada a reclamar, pelo o menos nunca ouvi ninguém lá falar mal.

E você já conversou com ele?
Às vezes ele faz programas com os jogadores. Uma vez ele comprou um camarote numa partida da NBA, em Londres, e ficou sabendo que eu gostava de basquete e me convidou. Claro que não fui o único, outros também foram. Teve outra vez também que ele fechou o autódromo de Silverstone e levou os carros dele. Aí, convidou onze jogadores para pilotar. Ele tem uma mini-equipe, com dez, 11 carros espetaculares.

E você foi?
Claro, foi fantástico, porque além dos carros tinha uma estrutura toda com pilotos ensinando a gente, mecânicos. Foi inesquecível.

Você se lembra que carros pilotou?
Lembro, lembro. Tinha de tudo lá: Porsche, Bugatti, mas o melhor foi uma Ferrari FXX

Como você está vendo essas mudanças no Barcelona?
Eu acho que quando você sai de um clube não pode ficar comparando com outros. Até porque, adorei estar lá, a cidade é maravilhosa e o time também. É claro que eu não queria ver o Barça nessa situação, mais um ano sem ganhar título e ter que trocar técnico e jogadores. Eu tenho contatos com alguns amigos lá, mas nunca falamos sobre futebol. Sou muito amigo dos brasileiros, claro, do Valdez e do Gudjonshen. O mínimo que posso fazer é torcer até por todo o carinho que recebi por lá. Ainda mais depois daquele gol na final [Liga dos Campeões 2006].

Você chegou a afirmar na Espanha que não era mais convocado para a seleção por causa das críticas da imprensa do Brasil. Você se acha um injustiçado?
O Felipão , por exemplo, era um cara que me levava sempre e não tava nem aí sobre o que se dizia de mim. Em outras épocas, isso foi um problema, mas agora já é passado. Hoje está o Dunga e não sou chamado porque o projeto é outro. Ele quer chamar a garotada. Ele acha que com os moleques vai conquistar a Copa e tudo mais. Essa é a idéia dele, ponto! Daqui a pouco pode mudar o projeto e os mais velhos voltarem. Não digo que nunca vou voltar para a seleção e muito menos que não quero mais ir. Tudo pode acontecer. Eu sou a prova mais clara que no futebol o mundo dá voltas, né?

E a seqüência da sua carreira, sempre atuando em um time grande, calou a boca de muita gente?
Não sei. Já estou com uma idade e, como experiência do futebol, não ligo para o que falam. Só quero me divertir e jogar bola.

E como é a convivência em um time com tantos astros e milionários?
Tranqüilo. Tenho amigos no grupo como o Alex, Ricardo Carvalho, Makelele, Anelka. São todos gente boa. Perguntam sempre se estou adaptado e tudo mais. O Drogba também. Ele é muito tranqüilo, descontraído e profissional.

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